Bar do Calaf é símbolo da cultura boêmia de Brasília

O Desce mais Uma desta semana trata da marca boêmia que o Bar do Calaf trouxe ao Setor Bancário Sul

Bar do Calaf

Em meio a um local marcado pela formalidade na rotina de trabalho, o Bar do Calaf trouxe um novo significado ao Setor Bancário Sul. Inaugurado em 8 de junho de 1990, o espaço teve início marcado por uma fórmula simples e comum em bares brasilienses de público cativo. As quatro mesas distribuídas no espaço de 40m² recebiam, sempre durante o almoço das sextas-feiras, a feijoada preparada em casa por Beatriz Calaf, esposa falecida do chef Venceslau Calaf. Era o início de um dos bares mais famosos da cidade.

A prisão do restaurateur Jorge Ferreira, em 2003, impulsionada pela reclamação de moradores da 202 Norte por conta do som provocado por grupos de chorinho no Bar do Ferreira foi o capítulo que iniciou o fôlego musical do Bar do Calaf.
“Os músicos passaram a me procurar porque precisavam de um local para tocar. O chorinho passou a ser fixo no sábado. Depois ele se transformou em samba. Era o início do melhor samba de Brasília”, avalia Calaf, que hoje comanda o Outro Calaf, no mesmo SBS.

Musicalidade
Apesar de acontecerem em uma área comercial, as apresentações dos músicos também incomodaram gente nos arredores do SBS. A solução de Venceslau Calaf foi mudar de endereço sem deixar a região que o consagrou. “Mudamos para um prédio muito próximo do antigo e conseguimos manter uma das identidades da casa: à noite, com o happy hour, e durante o dia, com bufê de pratos espanhóis”, ressalta o chef.

Gastronomia
As raízes catalãs de Calaf influenciam o menu. A paella à marinera, à base de frutos do mar, dá o tom ao bufê às quartas-feiras. Já a paella valenciana, que, além de frutos do mar, leva frango e porco, integra o cardápio fixo da casa e está entre os pratos preferidos do chef.

Grandes nomes do samba
Desafiando a falta de patrocínio, a casa já recebeu convidados ilustres do ritmo, como Nelson Sargento e Jorge Aragão. Artistas locais como os do Clube do Choro e da Escola de Música de Brasília também marcam
presença no palco.

Crise
O Calaf é uma instituição cultural e gastronômica. Já estive perto de fechar, mas me adaptei aos desafios e conseguimos sobreviver aos tempos de crise”, ressalta o chef, que afirma que a inclinação para dois tipos de ambiente — restaurante e casa noturna — é um dos motivos para driblar o momento econômico desfavorável. “Hoje em dia a inovação da casa é conseguir manter-se aberta”, afirma Calaf em tom bem-humorado.